“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”.
É provável que você já tenha se deparado com esse provérbio iorubá em algum momento da sua vida. Sua mensagem é simples: educar uma criança é uma responsabilidade coletiva. E, embora o individualismo tenha ganhado espaço na sociedade nos últimos anos, há muitas conquistas que continuam dependendo da colaboração.
Uma delas é a inovação.
Inovar é muito mais complexo do que se imagina. Mudar a cor de um produto não é inovar. Criar um e-commerce em substituição a uma loja física não é inovar. Alterar o logo de uma marca não é inovar.
Inovação pressupõe gerar valor prático e acontece ao longo de uma jornada que começa na pesquisa, passa pelo desenvolvimento e só então se transforma em inovação. É daí, aliás, que vem a sigla PD&I, tão presente no mundo corporativo. Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação, um processo multidisciplinar que só se conclui em colaboração.
A academia representa o P da sigla e cumpre o papel de gerar conhecimento por meio da pesquisa. As empresas concentram os seus esforços no D: a partir do conhecimento acadêmico, desenvolvem produtos que atendam as necessidades dos seus clientes. Já o I é o quando de fato esse produto vira sucesso no mercado, onde a cooperação com a academia vira valor concreto para a empresa.
Esse processo de compartilhamento de conhecimentos e técnicas, com o objetivo de gerar inovação para a sociedade, é conhecido como transferência tecnológica. A academia transfere seu conhecimento as empresas que, por sua vez, proporciona a ela a possibilidade de materializar o conhecimento produzido.
Mas colocar esses dois atores em sintonia não é tarefa simples. Enquanto a pesquisa científica prioriza o rigor metodológico e o longo prazo, o mercado busca rapidez, aplicabilidade e resultados. Mais do que diferentes, são perspectivas que, muitas vezes, entram em tensão. Como resolver esse impasse?
O ICTi surgiu para responder a esse desafio. Com a missão de fomentar a pesquisa aplicada e o desenvolvimento de tecnologias emergentes, o instituto mantém parcerias com mais de dez universidades brasileiras, como USP e UFPE, e internacionais, como Stanford e MIT. Nessas colaborações, leva a docentes, mestrandos e doutorandos dores reais do negócio, que posteriormente vão dar origem a soluções inovadoras.
Essa dinâmica está esquematizada no nosso funil de inovação, dividido em quatro fases. A primeira delas é a Pesquisa, conduzida pelas universidades parceiras, que investigam com rigor científico problemas concretos do mercado. Em seguida vem o Desenvolvimento Experimental, principal foco do ICTi. É aqui que criamos protótipos para testar e validar com mais agilidade as hipóteses geradas pelos pesquisadores.
Na terceira etapa, chamada de Growth, o conhecimento produzido é transferido para o Itaú, mantenedor do ICTi, onde as soluções passam a ser desenvolvidas em parceria com o banco. Por fim, chega-se à Sustentação, quando os produtos são lançados no mercado e seu impacto passa a ser acompanhado, medindo a geração de valor e os benefícios dessa inovação colaborativa.
A inovação tecnológica disruptiva tem na pesquisa a sua principal fonte. A OpenAI, por exemplo, surgiu de alguns papers acadêmico, disponibilizou modelos de IA em código aberto e só depois virou uma empresa com fins lucrativos, criadora da inteligência artificial generativa mais usada no mundo, o ChatGPT.
No setor de serviços, como o bancário, o ciclo de desenvolvimento é mais rápido e a quantidade de produtos lançados é maior. Essa dinâmica do setor dificulta reconhecer o valor da pesquisa, mesmo sabendo que ela é a base do conhecimento das inovações relevantes. Ser pioneiro não é apenas sair na frente. É sustentar a disrupção no longo prazo.
O caminho pode não ser tão rápido quanto o mercado gostaria. Mas conectar diversos atores e potencializar suas capacidades é a única maneira consistente de desenvolver uma cultura de inovação que vá além de avanços pontuais. Afinal, assim como é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, também é preciso um ecossistema inteiro para praticar inovação.