11 ago 2026
Mestres e doutores, o mercado bate à porta: como o ICTi está transformando dissertações e teses em soluções práticas

No imaginário popular, um cientista costuma ser um homem de idade relativamente avançada, cabelo bagunçado e hábitos excêntricos, que passa a vida inteira em um laboratório, fazendo experiências mirabolantes com substâncias de potencial explosivo.

A vida real, porém, é bem diferente. Cientista é quem produz novos conhecimentos por meio da pesquisa, investigando problemas de forma estruturada e desenvolvendo soluções com base em métodos rigorosos e validados.

O habitat do cientista não é necessariamente o laboratório, mas, sim, a universidade. E o Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú vem trabalhando para que o corporativo também se torne ambiente fértil para a produção científica. Um desses esforços é o programa de Parcerias com Universidades, criado para valorizar talentos e desenvolver projetos que impactem tanto a comunidade científica quanto o mercado.

Tudo começa com a identificação de desafios concretos enfrentados pelo banco, que são levados às universidades para que se tornem objetos de pesquisa. “O que move a carreira de um acadêmico é a publicação científica. A parceria com o ICTi é interessante porque leva para dentro das universidades problemas relevantes para serem resolvidos, capazes de gerar publicações sólidas”, avalia Eduardo Hruschka, Superintendente de Ciência de Dados do Itaú e Professor Associado do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

A USP, aliás, foi a nossa primeira parceira. Desde 2018, antes mesmo da criação do ICTi, o Itaú Unibanco mantém, em parceria com a Poli-USP, o Centro de Ciência de Dados (C2D), iniciativa voltada ao incentivo à pesquisa e ao intercâmbio de conhecimento entre universidade e mercado. Em 2023, a gestão da parceria passou para o ICTi e inspirou a expansão desse modelo para outras instituições de ensino, sempre com o compromisso de gerar valor mútuo e fortalecer a colaboração acadêmica.

Veja a seguir as nossas instituições parceiras e suas respectivas frentes de pesquisa:

 

Parceiro Foco principal
USP Dados, IA e Analytics
UFPE Visão Computacional e Análise Comportamental
UFF Biometria e Detecção de Fraudes
UFG/CEIA Tecnologias Imersivas e IA
UFPR IA Aplicada e Pesquisa de Fronteira
UFRN Pesquisa Aplicada em Tecnologias Emergentes
MIT IA, Deepfakes e Segurança Digital
Stanford IA Responsável e Human-AI Interaction
Instituto Eldorado Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Tecnológico

 

No total, temos mais de 70 pesquisas em co-desenvolvimento com as universidades parceiras e conduzidas por grupos de pesquisa compostos por acadêmicos de diferentes níveis de senioridade: alunos de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos. Algumas dessas pesquisas, que abrangem tecnologias entre os níveis de 1 a 4 na escala de Nível de Prontidão Tecnológica (ou Technology Readiness Level – TRL), já renderam publicações em periódicos científicos nacionais e internacionais, que você pode conferir aqui. Parte dos resultados também contribui para a geração de ativos de propriedade intelectual, ampliando a capacidade do Itaú de converter conhecimento científico em aplicações de valor para o negócio e para a sociedade.

Essa parceria, no entanto, não está isenta de desafios. Enquanto a universidade trabalha com o rigor metodológico e horizontes de longo prazo, o mercado demanda soluções aplicáveis em prazos muito mais curtos. Para aproximar esses dois tempos, o ICTi criou mais uma iniciativa: o programa Bolsistas ICTi.

Voltado à pesquisa aplicada, o programa oferece bolsas de pós-doutorado, doutorado e mestrado em áreas como Data Analytics, Inteligência Artificial, Automação e Engenharia de Dados. Diferentemente das pesquisas acadêmicas tradicionais, aqui os temas são definidos pelo próprio ICTi, sempre a partir de desafios estratégicos do Itaú e com foco em tecnologias posicionadas entre os níveis 4 e 8 da escala TRL – ainda emergentes, mas já em estágios mais avançados de maturidade. O objetivo é transformar conhecimento científico em produtos, serviços e soluções capazes de gerar valor para os clientes do Itaú e para a sociedade. A iniciativa amplia as oportunidades de atuação de mestres e doutores em pesquisa aplicada e aproxima a formação acadêmica dos desafios tecnológicos do setor produtivo. Além disso, mais de 1.400 mestres e doutores em seu quadro de profissionais, o Itaú reforça a relevância da ciência para a construção de soluções inovadoras.

Para aumentar a atratividade do programa, oferecemos bolsas com valores superiores aos praticados pelas agências de fomento. É também uma contribuição no enfrentamento à chamada fuga de cérebros, fenômeno caracterizado pela saída de pesquisadores altamente qualificados do Brasil em busca de melhores oportunidades no exterior. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, organização supervisionada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI), estima que quase 7 mil cientistas deixaram o país de 2015 a 2022.

É um cenário que precisa mudar para que o Brasil fortaleça seu ecossistema de inovação, amplie sua competitividade tecnológica, fortaleça a soberania nacional em áreas estratégicas e transforme conhecimento científico em soluções de alto impacto. Iniciativas como essas também contribuem para a geração de empregos altamente qualificados e para o fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira. “O que as empresas praticam, no geral, é o que chamamos de inovação incremental, aquela que estabelece mudanças graduais e de baixo risco. Já a inovação disruptiva, com potencial de transformar o mercado, só vem da universidade mesmo”, conclui Hruschka, reforçando a importância de desenvolver inovação com base em evidências, algo que só a academia ensina – e que nós estamos dispostos a aprender.

Artigos relacionados