29 jul 2026
Gêmeos digitais: a tecnologia que pode prever comportamentos e transformar nossa maneira de trabalhar e de aprender

Quando você ouve a palavra “gêmeo”, provavelmente pensa em irmãos muito parecidos, que usam roupas iguais, compartilham as mesmas etapas da vida e são cúmplices de aventuras, como trocar de lugar para pregar uma peça em alguém. Hoje, porém, vamos adicionar uma nova camada a esse imaginário. Afinal, mesmo sem ter dividido a barriga da sua mãe com outra pessoa, você ainda pode ter um gêmeo. Só que digital.

Gêmeos digitais são réplicas virtuais de algo que existe no mundo real. A tecnologia vem ganhando cada vez mais relevância porque permite testar cenários, prever acontecimentos e otimizar processos com mais agilidade e menos custos. Um gêmeo digital pode representar um objeto, um sistema, um ambiente ou até mesmo uma pessoa.

É justamente nessa última frente que o ICTi vem trabalhando, ainda em fase experimental. Por meio de uma inteligência artificial desenvolvida para conduzir entrevistas, estamos mapeando personalidades, aptidões, interesses e outras características em alguns contextos de utilização.

O que parece ter saído de um filme de ficção científica, na verdade, nasceu na academia, a partir de pesquisas conduzidas por universidades renomadas.

Outra aplicação promissora está na realização de pesquisas de mercado e testes de aprendizagem. Em vez de abordar pessoas na rua, por telefone ou por e-mail para avaliar, por exemplo, a usabilidade de um produto, seria possível conduzir esses estudos com grupos de gêmeos digitais que representem o público-alvo desejado. Da mesma forma, em vez de oferecer um único formato de treinamento para todos os colaboradores, a tecnologia pode ajudar a identificar diferentes perfis de aprendizagem e personalizar as capacitações para melhorar a retenção do conhecimento.

Esta experimentação vem sendo acompanhado de perto por demais equipes para garantir a conformidade sob aspectos éticos e jurídicos.

Diante de tamanha disrupção, emerge uma questão quase filosófica: se já é possível criar uma tecnologia que simula o nosso comportamento, quer dizer que o ser humano é tão previsível assim?

Essa é uma das perguntas que há décadas mobilizam a Psicologia. Algumas abordagens, como a Comportamental, defendem que determinados estímulos incitam certos comportamentos e que, portanto, controlando o ambiente conseguimos produzir as respostas comportamentais desejadas. Outras linhas, como a Fenomenológico-Existencial, entendem que somos livres para fazer escolhas e recalcular a rota da vida a qualquer momento. Sob essa perspectiva, portanto, seríamos imprevisíveis.

A academia e a tecnologia não oferecem uma resposta definitiva para essa pergunta, mas partem de uma premissa importante: a de que o gêmeo digital não tem precisão absoluta. Ou seja, não há qualquer expectativa de que ele seja uma representação fiel de quem serviu como base para a sua construção. Afinal, o ser humano é complexo e tem uma dimensão única que, independentemente da evolução tecnológica, continua impossível de replicar: nossa capacidade de sentir, atribuir significado às experiências e agir a partir delas.

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