Inteligência artificial 17 jul 2026
Tecnologia que inclui: como a inovação pode mudar a vida de pessoas com deficiência?

Enquanto muitos se dividem entre o fascínio e o receio quando o assunto são as tecnologias emergentes, para pessoas com deficiência (PCDs) elas representam esperança. De aplicativos de inteligência artificial capazes de descrever ambientes a exoesqueletos robóticos que ampliam a mobilidade, os avanços tecnológicos vêm proporcionando mais autonomia, participação social e qualidade de vida para os PCDs. E é nesse contexto que o ICTi vem desenvolvendo tecnologias para resolver problemas de acessibilidade e inclusão.

 

Uma delas é o TEAgent, ferramenta de inteligência artificial generativa que adapta a comunicação para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O último Censo do IBGE aponta que 2,4 milhões de brasileiros estão no espectro e, portanto, podem enfrentar dificuldades para interpretar mensagens abstratas, como metáforas, sarcasmo e informações nas entrelinhas. O funcionamento é simples: basta inserir na plataforma a mensagem que se quer adaptar e, com um clique, o sistema a reescreve, convertendo expressões figuradas em linguagem literal e objetiva ou fornecendo um passo a passo mais estruturado para iniciar uma conversa que julgaria difícil de iniciar, como um feedback ou reunião relevante.

 

A ideia partiu do grupo de afinidade de PCDs do Itaú-Unibanco – o Inclui – e logo mobilizou colaboradores do ICTi, que desenvolveram a ferramenta e contaram com o trabalho de uma pesquisadora de Pedagogia para validar a adequação da ferramenta ao público-alvo. “Pessoas neurotípicas costumam ter dificuldade de estabelecer uma comunicação direta e assertiva com pessoas autistas, visto que geralmente as mensagens são abstratas ou nas entrelinhas. Na tentativa de assimilar o conteúdo, o público autista acaba se sobrecarregando mentalmente para entender o que as pessoas as querem dizer. Essa é uma das dores que o TEAgent se propõe a resolver”, explica Renato Almeida, Analista em Ciência de Dados.

 

As iniciativas do ICTi com potencial para promover mais inclusão não param por aí. Em 2025, participamos de um hackathon com o Instituto Alana para estimular a criação de soluções de acessibilidade, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). Do evento, surgiram boas propostas, como um sistema para transcrever a fala de pessoas com Síndrome de Down, que geralmente apresentam dificuldades no desenvolvimento fonético-fonológico, e uma tecnologia para auxiliar pessoas com déficit cognitivo na compreensão de obras literárias exigidas nos vestibulares.

 

Nos últimos anos, também criamos soluções internas como o Stenos, inteligência artificial que converte voz para texto e pode apoiar pessoas surdas, e o Hórus, um leitor de OCR que inspeciona conteúdos textuais em imagens, transcrevendo o texto presente nela, o que amplia a acessibilidade para pessoas com deficiência visual.

 

Para Lucas Pellicer, coordenador de Ciência de Dados no ICTi, todas essas iniciativas estão conectadas com a Cultura Ituber. “Diversidade e inclusão é um dos pilares centrais na organização. Equipes diversas e inclusivas chegam a melhores soluções porque conseguem enxergar perspectivas diferentes. Além disso, trabalhar em projetos de acessibilidade é uma forma direta de gerar impacto social positivo, já que uma parcela relevante da população brasileira [7,3%] é composta por pessoas com deficiência”, afirma.

Artigos relacionados