Certamente você não se surpreenderia ao ouvir que o Brasil é o país que mais exporta jogadores de futebol no mundo. Ou que algumas das nossas praias já foram eleitas, repetidas vezes, as mais bonitas do planeta. Mas… E se disséssemos que, há mais de dez anos, o Brasil figura entre os maiores produtores globais de conhecimento científico?
Desde 2015, ocupamos o 14º lugar entre os países que mais produzem artigos científicos. Em 2025, alcançamos a 3ª colocação no ranking de nações com mais revistas científicas universitárias. E dos 210.198 cientistas mais influentes do mundo, 1.294 são brasileiros. Se a pesquisa científica é o motor da inovação, podemos dizer, portanto, que o Brasil é um dos países mais inovadores do mundo, certo?
Errado.
Apesar de contar com uma comunidade científica robusta e bastante qualificada, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para transformar conhecimento em inovação. Parte desse paradoxo se deve ao baixo investimento em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I). Enquanto países que são referência no segmento, como Alemanha, Coreia do Sul, Japão, Estados Unidos e Israel, investem de 3 a 6% de seus PIBs em PD&I, no Brasil, esse percentual é de apenas 1,19%, somando investimentos públicos e privados.
Embora nos últimos anos o Governo Federal tenha anunciado programas para tentar reverter essa defasagem por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o envolvimento empresarial com o ecossistema de PD&I ainda é baixo. Além da desconexão entre universidades e empresas, que dificulta a transformação de pesquisas em produtos e serviços de impacto, o mercado parece apostar menos do que deveria na capacidade inventiva do país. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o setor privado responde por cerca de 50% do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil. Já entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esse índice ultrapassa os 70%. Nesse cenário, o Itaú busca fortalecer o ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação, estimulando a aproximação entre empresas e academia, difundindo mecanismos de incentivo à pesquisa, como a Lei do Bem, e contribuindo para ampliar a participação do setor privado no desenvolvimento tecnológico nacional.
Um cenário que é desafiador, mas que, ao mesmo tempo, revela um amplo campo de oportunidades para o país e para as empresas dispostas a impulsionar o desenvolvimento sustentável e gerar valor compartilhado para todo o ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.
É nesse contexto que o Itaú atua. Somos uma das empresas com maior Investimento Social Privado na América Latina, o que significa que parte do valor que geramos é revertido em benefícios para a sociedade. Só em 2025, investimos mais de R$ 867 milhões em impacto, abrangendo diversas frentes de atuação – como educação, por meio do Itaú Social; cultura, por meio do Itaú Cultural; e Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação, por meio do Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú, o ICTi.
Fundado em 2023, o ICTi tem como missão fomentar a pesquisa aplicada e o desenvolvimento de tecnologias emergentes. Ao estabelecer parcerias com universidades e instituições científicas, contribuímos para o avanço da inovação no país e o desenvolvimento da comunidade científica brasileira.
ICTi: o elo que faltava entre a universidade e o mercado
De um lado, universidades e centros de pesquisa produzem conhecimento por meio de investigações, descobertas e novos métodos. De outro, o mercado demanda soluções que deem conta de novas e antigas dores, para tornar suas operações mais seguras e eficientes e aprimorar a experiência dos clientes. Entre esses dois mundos, está o ICTi, construindo uma ponte sólida entre academia e mercado, para transformar pesquisa em produtos e serviços com impacto não apenas para o Itaú e para o setor financeiro, mas, acima de tudo, para a sociedade.
Graças à parceria do ICTi com dez universidades e centros de pesquisa brasileiros, alcançamos, nos últimos anos, marcos expressivos que demonstram o nosso impacto nas duas pontas dessa jornada de inovação. Na academia, chegamos ao número de 100 pesquisadores – entre estudantes de iniciação científica, mestres e doutores – que são membros do Programa Bolsistas ICTi e desenvolvem projetos relacionados às nossas linhas de pesquisa: Inteligência Artificial, Computação Quântica, Realidade Estendida, Neurociências e Robótica.
Também consolidamos o nosso investimento no C2D da USP, o Centro de Excelência em Ciência de Dados, hoje administrado pelo ICTi. Considerado o primeiro centro científico com foco em Ciência de Dados do Brasil, o espaço promove a formação de especialistas e o desenvolvimento de pesquisas nas áreas de arquitetura de dados, analytics e inteligência artificial.
Já no campo do desenvolvimento de produtos, somente em 2025, depositamos 20 pedidos de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), garantindo a proteção intelectual das nossas invenções. Dois desses pedidos já foram concedidos, ou seja, conseguimos atestar a originalidade e fomos reconhecidos como os únicos titulares legais dessas tecnologias.
Esperamos que novas concessões ocorram nos próximos meses e que, com a proteção jurídica garantida pelo Estado, sigamos criando novas soluções – que vão desde ferramentas para detecção de vieses em modelos de inteligência artificial até sistemas de segurança capazes de proteger usuários de IAs generativas de alucinações ou conteúdos indevidos, passando por plataformas de interpretação e categorização de áudio e vídeo.
Esse é o motor da inovação girando.
O Itaú acredita que empresas prosperam em sociedades prósperas. Por isso, para nós, transformar o país por meio de investimento social é também uma maneira de nos transformarmos. Quanto mais nos consolidarmos como referência na produção de conhecimento e no desenvolvimento de novas tecnologias, mais contribuiremos para a criação de uma sociedade capaz de compreender seus próprios desafios e responder a eles com inteligência, rapidez e criatividade.
Referências