A IA deixou de ser uma tecnologia promissora para se tornar uma das principais forças de transformação da economia mundial. Existe um movimento global de proteção tecnológica crescendo em ritmo acelerado e colocando empresas brasileiras entre os protagonistas de uma nova fase da inovação baseada em inteligência artificial.
É por isso que existe um indicador que ajuda a medir não apenas quem está utilizando IA, mas quem está efetivamente criando tecnologia inédita: o número de patentes depositadas.
Segundo levantamento divulgado pela Inova Unicamp, entre 1985 e 2015 foram registrados cerca de 25 mil pedidos de patente relacionados à inteligência artificial em todo o mundo. Nos dez anos seguintes, esse número saltou para 555 mil depósitos, impulsionado por avanços em machine learning, redes neurais e, mais recentemente, inteligência artificial generativa.
Entre 2024 e 2025, mais de 56 mil novas famílias de patentes em GenAI foram publicadas globalmente. Nesse cenário, empresas brasileiras começam a ganhar relevância. Entre elas, o Itaú aparece como um dos principais destaques nacionais, com 14 pedidos de patente publicados envolvendo inteligência artificial somente em 2025,– muitos, iniciados em parceria com o ICTi.
Esse avanço ajuda a contar uma transformação importante: o fortalecimento da capacidade do país de gerar tecnologia própria, protegida e com potencial de impacto em larga escala.
Da adoção à criação de tecnologia
Historicamente, o setor financeiro brasileiro esteve entre os mais avançados do mundo na adoção de tecnologia. Agora, o movimento começa a ganhar uma nova camada, a geração de propriedade intelectual.
Enquanto grande parte das organizações utiliza tecnologias desenvolvidas por terceiros, o crescimento dos depósitos de patentes mostra uma mudança de postura. Empresas passam a criar seus próprios ativos tecnológicos, desenvolvendo soluções que podem gerar diferenciação competitiva, fortalecer sua autonomia tecnológica e consolidar conhecimento estratégico.
No caso do Itaú, essa transformação tem sido acelerada pelo trabalho realizado por nós, Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), estrutura criada para conectar pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e desafios reais de negócio. Nossa missão é integrar a estratégia de inovação do banco e impulsionar o desenvolvimento de pesquisa aplicada em tecnologias emergentes, atuando em temas como inteligência artificial, sistemas agênticos, computação quântica, segurança digital e ciência de dados.
Quando pesquisa aplicada se transforma em ativo estratégico
Existe uma percepção comum de que patentes são resultado de grandes laboratórios ou de iniciativas isoladas de inovação. Na prática, elas são consequência de um processo muito mais amplo.
No ICTi, a construção de propriedade intelectual nasce a partir da conexão entre pesquisadores, especialistas técnicos e áreas de negócio. O trabalho envolve identificar desafios concretos, formular hipóteses, desenvolver soluções tecnológicas e validar seu potencial de aplicação. Quando existe novidade técnica, potencial de uso e diferencial competitivo, o conhecimento gerado pode se transformar em patente.
Essa lógica faz parte do modelo Research-to-Product adotado pelo Instituto, no qual pesquisa, engenharia e negócio atuam de forma integrada. O objetivo não é produzir conhecimento apenas para publicação científica, mas transformar descobertas em capacidades, produtos, tecnologias e ativos estratégicos para o futuro do banco.
Hoje, o ICTi possui mais de 30 depósitos de patentes em andamento, dezenas de pesquisadores envolvidos e um portfólio crescente de tecnologias relacionadas à inteligência artificial, incluindo soluções em governança de IA, agentes inteligentes, memória e personalização, visão computacional, observabilidade de modelos e segurança.
Uma liderança que se consolida
O avanço do Itaú na agenda de propriedade intelectual não acontece apenas no contexto da inteligência artificial. Dados internos do Programa de Propriedade Intelectual mostram que, considerando o setor bancário nacional, o Itaú já lidera o volume de depósitos de patentes realizados desde 2020. São 21 depósitos acumulados, dos quais 20 foram realizados apenas em 2025.
O reconhecimento também já aparece nos rankings nacionais. Em 2026, Itaú e ICTi passaram a figurar entre os maiores depositantes de pedidos de patente do Brasil segundo levantamento do INPI. O banco aparece entre as principais empresas nacionais depositantes e lidera o setor financeiro, enquanto o ICTi figura entre os institutos privados de ciência e tecnologia mais ativos do país na proteção de propriedade intelectual.
O que esse movimento representa para o futuro
O crescimento dos pedidos de patente em inteligência artificial mostra que o Brasil começa a ocupar uma posição mais relevante na criação de tecnologia de fronteira. Mas também reforça um ponto importante: inovação sustentável depende da capacidade de transformar conhecimento em ativos protegidos, capazes de gerar valor no longo prazo.
Ao ampliar a atuação em pesquisa aplicada, fortalecer parcerias com universidades e consolidar um programa estruturado de propriedade intelectual, o ICTi ajuda a construir essa trajetória dentro do Itaú. Porque, em um cenário cada vez mais orientado por inteligência artificial, a vantagem competitiva não estará apenas na adoção da tecnologia. Estará, principalmente, em ser capaz de criá-la.
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