21 jul 2026
Seu chefe sabe usar a IA? Entenda por que o Itaú está treinando a alta liderança para ser AI First

Em pleno 2026, num contexto em que a adoção de tecnologias emergentes avança em diversos setores da economia, é bem provável que sim: seu chefe saiba usar a inteligência artificial. Muito possivelmente, aliás, sabe até mais do que você e seus colegas de equipe. É o que indica o 16º Dayforce Pulse of Talent, pesquisa conduzida pela Hanover Research em 2025, em parceria com a empresa de software Dayforce. Uma amostragem de quase 7 mil trabalhadores em seis países revelou que 87% dos altos executivos utilizam IA no trabalho, contra 57% dos gerentes e 27% dos colaboradores sem cargos de liderança.

Essa lacuna de 30 pontos percentuais entre alta e média lideranças e de 60 pontos entre a alta liderança e a força de trabalho em geral revela desafios importantes para a cultura corporativa. Muitas organizações querem colocar a IA no centro de suas operações, mas concentram esforços e recursos em treinamentos técnicos e ferramentas, esquecendo que a adoção consistente de uma tecnologia depende também de uma mudança de mentalidade. E toda mudança comportamental só ganha força quando envolve aqueles que definem prioridades e dão o tom da cultura: os líderes.

Segundo estudo publicado no Journal of Applied Psychology, o comportamento do líder exerce influência direta e estatisticamente significativa sobre o comportamento da equipe. Líderes que dão exemplos positivos estimulam seus liderados a reproduzir comportamentos positivos. E é justamente por isso que a alta liderança do Itaú é o público-alvo dos workshops AI First, ministrados pelo ICTi.

“O intuito não é ensinar os líderes a usarem a inteligência artificial. É incentivá-los a repensar a maneira como eles e suas equipes constroem soluções. É mostrar que resolver problemas pode ser mais simples, rápido e eficiente quando contamos com as ferramentas adequadas”, afirma Erika Goes, Product Manager na equipe de Emerging Tech do ICTi.

A cada workshop AI First, durante pouco mais de três horas, cerca de 50 diretores e superintendentes deixam o papel de líderes para assumir o de experimentadores. Divididos em grupos de cinco participantes, recebem um desafio: desenvolver o protótipo de um produto capaz de resolver uma dor específica de suas áreas de negócios. Parte de cada grupo se dedica à ideação e à construção do protótipo, enquanto a outra parte elabora a apresentação que servirá de apoio para um pitch de três minutos. Tudo isso é feito com o auxílio da inteligência artificial. Ao final das apresentações, com base em critérios preestabelecidos pela equipe de Emerging Tech, é também uma ferramenta de IA que escolhe o projeto vencedor.

Faz pouco mais de um ano que o workshop AI First vem circulando pelas áreas do Itaú, mudando a mentalidade dos líderes – e consequentemente de suas equipes – e promovendo mais integração entre o Banco e o ICTi. “No banco, vivemos tão imersos no dia a dia, que acabamos entrando no piloto automático. Já no ICTi, as pessoas são incentivadas a olhar para o futuro, a buscar novas soluções. Por isso, sempre que possível, recorro a eles para trazer provocações para o meu time. Levar a pesquisa acadêmica para a indústria financeira, como o ICTi faz, é uma quebra de paradigma necessária e que vem transformando a nossa maneira de trabalhar”, avalia a Superintendente de Engenharia de Tecnologia do Itaú, Priscila Rocha.

 

Da experimentação à mudança de cultura

O que hoje é um programa consolidado, surgiu em 2025 como uma iniciativa pontual, quando Roberto Frossard, Superintendente de Tecnologias Emergentes do Itaú, levou para o time de Emerging Tech do ICTi um desafio: transformar um hackathon de três dias, destinado às áreas de negócios do Banco, em um workshop de uma hora de duração, a ser realizado na Semana de Produtos Itaú, evento sobre inovação, tecnologia e negócios, voltado ao público externo.

Embora, à primeira vista, o desafio parecesse impossível, a equipe percebeu que bastava criar uma trilha mais enxuta de aprendizado e experimentação, mantendo intacta a metodologia Research to Product, que guia todo o trabalho do ICTi e representa um dos principais ganhos para as equipes do Banco que participam do workshop. Apesar de ser usada para resolver problemas complexos, a metodologia é simples: destrinchar o problema, mapear o perfil de quem vai se beneficiar da solução, definir a funcionalidade da solução e desenvolver um protótipo capaz de demonstrá-la na prática.

“Historicamente, os times de tecnologia sempre precisaram fazer um esforço e ‘empurrar’ soluções para os times de negócio. Hoje, com a IA, a lógica se inverteu: as áreas de negócio estão sedentas por aprendizado. Por isso o trabalho do ICTi é tão importante. Apoiamos as áreas de negócio no desenvolvimento de novas habilidades e na mudança da forma como pensam e trabalham”, considera Frossard.

Nesse cenário, o workshop funciona como um bom cartão de visitas do ICTi. Só em 2026, mais de 300 líderes do Itaú participaram do AI First, sempre organizado sob demanda. A alta procura levou a equipe de Emerging Tech a produtizar a oficina para que ela ganhasse escala e se tornasse aplicável a pessoas das mais diversas áreas de negócio.

“Além do formato mais compacto, investimos na formação de facilitadores didáticos, com uma linguagem que fugisse do ‘tecniquês’, e passamos a propor desafios baseados em problemas reais das áreas, para gerar mais identificação e interesse”, conta Márcia Bortoto, Coordenadora de TI em Emerging Tech no ICTi.

Os benefícios vão muito além do domínio de ferramentas de IA. Quando líderes experimentam primeiro, inspiram suas equipes a fazer o mesmo. Aos poucos, a inteligência artificial deixa de ser vista como uma tecnologia restrita a especialistas e passa a fazer parte da cultura da organização, impulsionando novas formas de pensar, criar e resolver problemas. É assim que uma empresa deixa de apenas usar a IA e se posiciona, de fato, como AI First.

 

Fontes:

https://www.dayforce.com/who-we-are/newsroom/16th-annual-dayforce-pulse-of-talent-71-of-workers-untrained-in-ai-as-adoption-and-expectations-su 

https://www.ovid.com/journals/japsy/abstract/10.1037/a0022464~leading-by-example-the-case-of-leader-ocb?utm_source=chatgpt.com&redirectionsource=fulltextview

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